Quando nasci, nasci do avesso
Não tinha nome nem endereço
Sorri pro mundo que nem conheço...
Era pequenino como todos,
Não tinha CPF, RG ou cartão de banco
Nem roupa eu tinha, e mesmo assim nasci feliz
Fui para casa com minha mãe
Que eu nem bem enchergava
Chorava por instinto
Sentia o cheiro da única que me salvava
Todas as noites dormia
Embora não soubesse diferenciar um berço de uma cama de palha
Mas era bom o bastante para saber quando me afagava
Não vim a terra nem mais pobre nem mais rico
Aos poucos fui vendo um mundo até então muito lindo
Existiam cores, flores e filhotes
E eu era apenas mais um ser vivo em uma terra tão habitada
Cantava feliz aprendia palavras
Ah que imensa sorte..
Até q chegou um dia e me jogaram na cara
Que a minha sorte não era tão rara
Veio a adolescência que me bateu na cara
Mostrando os defeitos do perfeito
E eu meio sem jeito desengonçado
Fiquei revoltado com aquilo que percebi sem entender direito
Depois veio a época adulta ...
Realmente dura
Nela não se podia errar
E um ano era tempo demais
E tudo que eu tinha é que lutar
Vi a filosofia de dar e receber se acabar
Era cobra comendo cobra...
E eu ainda me sentia bom demais
Para querer passar alguém pra trás
Infelizmente continuava tão sentimental
A ponto de ser justo até quando isso não me fazia tão bem
Eu realmente nasci do lado contrário
Talvez entres os índios...
E nos jardins do eden
Vim como os anjos sem cartão de crédito
Sem endereço, e eu era uma alma diferente das outras...
Vim como aqueles que não ganham nada mas fazem muito
Como cristo, Hipócrates, Aristóteles e muitos outros
Porém nunca reconhecidos sempre apedrejados
Vim diferente de muitos e embora isso seja uma dádiva
Isso me faz um ser excludente
Não quero dinheiro, mas tenho fome como todos mortais
Olho pro outro em todas as situações
E estou em um mundo capitalista!!!
Cresci no olho da serpente,
E a muito tempo engoli a maça proibida
Mas não era minha culpa
Eu tinha fome, meu Deus!