sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Quanto vale a alma

Aquiles acordou com medo. Não era um dia comum , o desconhecido invadia a porta assim como nas guerrilhas entre inimigos. Fadado de caminhar como um soldado sem arma, ele estava com fome, sede e saudade de casa. Não ele não estava em uma guerra, era um soldado nos caminhos da vida, sua luta incessante deixar-lhe-ia marcas neste instante, mas ele era o único ferido.
Dúvidas vinham na sua cabeça, estava enfim acabado a guerrilha, um vulcão em erupção era nesse momento o seu coração, e pontadas cada vez mais forte, estava ele perto da morte. Não ainda não era o momento ele era muito jovem, aplacando o sofrimento ainda presente naquela manha fria e nebulosa, esfregou com as pontas dos dedos desembaçando a neblina que tampava o sol entre o vidro da casa e aquele amanhecer estranho.
Colocou então uma música para aplacar a alma, e ao som de Bethoven, recriava as imagens que viu durante alguns dias, embora não soubesse ao certo o que fazer, lembrava-se de um faminto sentado na esquina da cidade a devorar coisas podres, e o mais interessante era saber que o aquele lixo era de certa forma gostoso, pois o miserável nem ao menos fez cara feia até leite ele aproveitou.
Seria o ser o ser humano menos valioso, do que os cães; pensou naqueles que nascem em berço de ouro, os cachorros é claro.Não sabendo mais avaliar o valor das coisas, pensou em tudo que o dinheiro pode comprar, aquela ínfima moeda de papel que tem o poder de mudar as coisas e transformar as pessoas, em coisas importantes. Uma barreira fina , que separa e determina o quanto se vale. Pairou no ar concentrando-se nos grandes músicos e pintores que durante o auge de sua criação nada ganharam...